Ibiporã e o Reino da Dinamarca

Diz a crônica que no Reino da Dinamarca havia um coron... ops!... digo, um rei que era cego aos reais problemas do seu povo e vivia num mundo virtual, de faz-de-conta, de luxo e de ostentações com tapete vermelho, bobos da corte e coisas do gênero. Não podia ver outros chefes de estado reunirem-se em reinos vizinhos que corria lá para aparecer na pintura da tela. (naquele tempo ainda não havia fotografia)... Agia assim, como se tudo estivesse  correndo bem no seu reino...vassalos e parentes dos mesmos com gordos salários. Uma maravilha! Num certo dia, o tal monarca convocou o coordenador festivo, e estilista-mór do reino, e deu uma ordem!
_ Julius... quero que desenhe e mande confeccionar uma roupa nova que deverá ser a mais linda, a mais rica e a mais luxuosa, jamais vista nas terras do Reino. Como adorava uma festa, Julius não perdeu tempo e encaminhou convites para a metade rica do reino (porque pobre não tinha vez). Deu um festão no recém reformado teatro do palácio. Convovou todos os melhores costureiros da Europa, oferecendo dinheiro e fartas recompensas àquele que melhor traduzisse as necessidades da soberba do rei. Depois de meses de trabalho, muitos gastos com os materiais nobres exigidos pelos costureiros, Julius organizou outras festividades para apresentar aos súditos os luxuosos trajes produzidos. Aos mais nobres,(famílias abastadas no reino), caberia escolher o mais belo e o mais luxuoso, que realmente fosse digno da sua majestade. Acontece que um dos costureiros que veio de fora, resolveu pregar um embuste no rei e falou que estava fazendo uma peça única de roupa – invisível e mágica – que proporcionaria que cada observador a visse do jeito que quisesse. Era uma roupa invisível com poderes de fascinar e de encantar a todos que a vissem. No dia da apresentação de tal roupa, o teatro do palácio estava lindo, impecávelmente decorado pela empresa do coordenador festivo do reino. A nata da sociedade lotou as dependências. A notícia do traje real e mágico havia se espalhado pelo Reino e todos queriam vê-lo. Pouco antes da entrada triunfal no palácio, o costureiro falou ao rei:         -  Prepare-se, majestade,  para o maior espetáculo da terra. Vossa Realeza há de ver e experimentar a maior exclamação e maior felicidade coletiva jamais vistas e, a partir de hoje, a sua nobre presença será, sempre, motivo de surpresa e alegria. Minutos depois, ao entrar no salão apenas com a coroa e com o cetro na mão, o rei, completamente nu, ouviu a maior exclamação unísona – OOOOhhhhhhhh – e maior gargalhada coletiva de todos os tempos no Reino da Dinamarca. Era realmente linda a roupa do rei que andava nu pelos corredores do palácio. Não teria Ibiporã igualmente vocação para ser o Reino da Dinamarca? Cada cidadão mesmo contrariado, vê no rei a roupa que lhe apráz! Sabe que tá ruim...mas diz que tá bão! (Por ELY DAMASCENO)

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