Egito:Um país em Guerra

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, anunciou que formaria um novo gabinete de ministros, após ter demitidos todos eles, incluindo o primeiro-ministro egípcio, Ahmad Fuad Mohieddin, ontem. A medida é uma tentativa de encerrar a crise em que o país se encontra desde o dia 25 de janeiro de 2011, quando manifestantes e policiais entraram em choque, em confrontos que se tornam cada vez mais violentos. Mubarak, como presidente, é o chefe de Estado do Egito, enquanto Mohieddin é o chefe de governo. O primeiro-ministro e o gabinete de ministros são indicados pelo presidente, que pode desfazer o gabinete e convocar novos membros.Os protestos, que se espalham pelo país, têm o objetivo de forçar a saída de Mubarak - no poder desde 1981. O grupo Irmandade Muçulmana já declarou que a destituição dos ministros é “apenas um passo” antes de aceitar as reivindicações da oposição e do povo. O porta-voz do grupo, Walid Shalabi, disse à agência de notícias Efe que espera um “governo que tenha interesse em lançar as liberdades públicas, que resolva o problema do desemprego e que não trabalhe em benefício de um só grupo”. O líder opositor e prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, afirmou, por sua vez, que Mubarak “deve ir embora”. Ele voltou de Viena (capital da Áustria) e foi ao Cairo para participar da mobilização popular, mas foi detido. Segundo a Jazeera, ElBaradei estava ontem em uma mesquita, e quando tentou sair dela foi impedido pela polícia. O diplomata egípcio é pró-Ocidente, tem apoio das classes mais altas e intelectualizadas e já anunciou sua disposição em assumir um eventual governo provisório, caso Mubarak seja derrubado. Esse é o grupo que engrossa as manifestações. Em seu apoio, Mubarak já recebeu até o momento a declaração do rei a Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdulaziz Al Saud.O rei, que está no Marrocos recuperando-se de uma cirurgia na coluna realizada nos Estados Unidos, condenou aqueles que "bagunçam" a segurança e a estabilidade do Egito. Também manifestou apoio a Mubarak o presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas. Em um comunicado divulgado por seu gabinete, Abbas declarou “solidariedade ao Egito e compromisso com a segurança e a estabilidade”. Além disso, o presidente da Autoridade Palestina “expressou seu desejo de que Deus abençoe o Egito e seu povo, que sempre se mantiveram ao lado do povo palestino”. Mesmo sabendo que o Egito precisa de uma revolução pacifica e democrática, paira algumas dividas no ar em relação de quem vai assumir o poder, o principal temor do Ocidente é que a Irmandade Muçulmana possa assumir o governo do país.

Postagens mais visitadas